Tudo que sobe, desce
O mercado imobiliário é mesmo muito instável.
Após combinações de eventos pós-praia, dando continuidade à amizade amalgamada sob o sol rachando, com direito a sessão de cinema em casa com pipoca e guaraná às 21:30, horário bom, previamente combinado entre as partes interessadas, que daria direito ao consumo de todas as besteirinhas compradas no supermercado no dia anterior, não é que o lote se viu isolado na vizinhança, sem vista para o mar, sem saída para a orla?
Como o corretor que decreta “aqui não bate sol”, “a umidade tomou conta”, “alaga fácil”, “sempre que chove é um problema”, pronto para mostrar ao potencial comprador propriedade mais vantajosa, o telefone tocou e o programa foi desmarcado.
Ainda bem que o trabalho acumulado de dias, que ficaria mais um acumulado na consciência, esperava para desopilar. Trabalho amigo, que não falta jamais e ocupa o tempo, desfocando da perda decorrida da desvalorização momentânea da propriedade.
Chegando em casa, o telefone toca mais uma vez: era o vizinho, que quis saber como foi o filme, só pra comentar.
E o cinema foi adiado pra amanhã, que quarta-feira é dia de sofá.
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