O problema é a sistemática
Reunião com o financeiro, proponho sugestões que facilitariam muitíssimo minha vida. Coisas simples. Coisas óbvias. Todos concordaram que seria uma solução maravilhosa.
“Pois então, Financeiro, vamos implementar?”
“Não dá. Foge à minha sistemática. Veja bem…”. E foi, e explicou, e falou que a solução era boa, mas que se fosse implementada, a sistemática toda que ele criara para fechar as contas ficaria seriamente ameaçada.
“Mas veja bem você”, ponderei, “não seria tão difícil”. Eu não estava propondo uma revolução. Apenas alterando a data de permissão para um pagamento, que obrigaria finalmente o povo a correr atrás do necessário e só receber quando efetivamente o trabalho estivesse pronto, ou ao menos “em vias de”. Por quê? Porque do jeito que estava, o trabalho siplesmente não estava ficando pronto no prazo adequado. Portanto, não estava propondo um absurdo, só que esse pedidinho ridículo, assim de nada mesmo, bagunçaria toda a sistemática.
Em parte, eu até entendo. A pessoa cria o seu método, dentro do seu sistema, para organizar as coisas. A intenção é boa. E entendo que quando a sistemática está pronta, há a resistência de mudar, porque desorganiza, mas pô, para que serve o sistema se não servir ao fim maior? Se ficar tudo organizadinho, mas não chegar a lugar algum?
A tal da sistemática me tira do sério. Sou pelo bem maior. Nem sempre os fins justificam os meios, mas se fixar nos meios e perder os fins… Ai, como irrita. Pensamento restrito. Cavalo de padeiro.
E, definitivamente, eu não nasci para cumprir todas as regras. Gosto de algumas regras, não me leve a mal. Cumpro praticamente todas. São necessárias. Muito boas, quando sensatas. Mas de vez em quando tem que se olhar além delas, ver o que há do outro lado do muro.
E adaptar a sistemática. Porque a sistemática não é tudo. É só a sistemática. E como toda boa e velha regra, tá aí pra ser quebrada.
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