Esquecer? Não convém.
“Ao homem que ama e que esquece, tão enganoso, tão comum, preferiam sem dúvida aquele que odeia e recorda, aquele que entesoura cada lembrança porque ela é o motivo de seu ódio, que não pretende deixar de lembrar porque quer ir em frente, e odiar até o final. O horizonte do primeiro é o desamor, o desaparecimento; o do segundo, no mínimo, uma vontade escarniçada de estar e de persistir, e, no máximo, quem sabe, a possibilidade de ter uma recaída, de afundar nas redes do amor se, em meio ao furor revisionista, uma reminiscência agradável – um gesto de amparo, uma chispa de calor, uma cena que o faz rir – o pega de surpresa e o flecha novamente.” (Alan Pauls, em O Passado).
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